Lecanemab: uma nova esperança para o Alzheimer?

ANVISA aprova no Brasil medicamento para tratamento da Doença de Alzheimer em estágios iniciais.
No dia 22/12/25, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) o novo medicamento para Doença de Alzheimer chamado Lecanemabe (LEQEMBI). Trata-se de um Anticorpo monoclonal IgG1 humanizado que se destina ao tratamento de pacientes em fases iniciais da doença.
De acordo com a Hipótese Beta-amilóide, um dos fatores que explicaria a fisiopatologia da Doença de Alzheimer seria o acúmulo de peptídeos beta-amilóides, que promovem a liberação de espécieis tóxicas, como o Aldeído 4-hidroxi-nonenal, desestabilizam o citoesqueleto dos neurônios e também desregulam os canais iônicos. Isso tudo promove a morte de neurônios, principalmente colinérgicos (Hipotálamo e Córtex pré-frontal).
O mecanismo de ação do Lecanemabe consiste na sinalização de protofibrilas solúveis e oligômeros maiores (que formariam espécieis Beta-amilóides) e posterior remoção via fagocitose microglial.
Um estudo multicêntrico, duplo-cego, de fase 3, com duração de 18 meses envolveu 1795 participantes entre 50 e 90 anos de idades. Todos os participantes possuiam estágio inicial da Doença de Alzheimer com evidência de amilóide detectada por Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) ou análise do líquido cefalorraquidiano. A administração intravenosa de 10mg/Kg de Lecanemabe foi realizada a cada 2 semanas. A pontuação média da Escala de Classificação Clínica de Demência (CDR-SB) inicial foi de 3,2, após a utilização do Lecanemabe este valor reduziu para 1,21 (-0,45 que o placebo). Além disso, houve redução da carga amilóide (por PET) de -59,1 centiloides quando comparado ao placebo. Em outras escalas de avaliação clínica para Alzheimer e Demência, o medicamento também apresentou melhora frente ao placebo, como na escala ADAS-cog14 (-1,44), ADCOMS (-0,050) e pontuação ADCS-MCI-ADL (2,0).
O Lecanemabe representa uma nova estratégia terapêutica para o tratamento de pacientes em estágios iniciais da Doença de Alzheimer. Ele demonstrou bons resultados frente ao placebo, mas ainda não apresenta uma reversão total da progressão da doença. Além disso, mais estudos devem ser realizados para avaliação dos efeitos adversos e tratamento a longo prazo (além dos 18 meses).
CHRISTOPHER, H. et al. Lecanemab in Early Alzheimer's Disease. The New England Journal of Medicine, 2022. DOI: 10.1056/NEJMoa2212948
SHI, M. et al. Impact of Anti-amyloid-β Monoclonal Antibodies on the Pathology and Clinical Profile of Alzheimer’s Disease: A Focus on Aducanumab and Lecanemab. Frontiers in Aging Neuroscience, 2022. DOI: 10.3389/fnagi.2022.870517.